| Resumo: | m homem, um filho, regressa a casa dos seus que há muito deixara. Sabe que vai morrer. Volta para lhes dizer. Volta a ver a mãe, a irmã, o irmão e a cunhada. Gostava de lhes falar, de lhes dizer quem é e como anda, os seus desejos e penas. Nada disso consegue. É esta a incrível força desta peça: nada é dito e, no entanto, cada um dos que se cala está entregue às palavras. São lutas improváveis e subterrâneas de que nos fala o teatro de Jean-Luc Lagarce. Para ocupar o lugar vazio de um amor desfeito, incapaz de passar à linguagem. O homem vai-se embora sem nada ter dito. Lagarce volta, seis anos, depois, em Le Pays Lointain a este mesmo rapaz.Tão só o fim do mundo foi escrito por um homem que se sabia condenado. Provavelmente só quem está perto da morte pode ter uma tal preocupação com a justeza das palavras. Em Lagarce, não se trata de preciosismo, esta precisão é a sua escrita, exigente, rigorosa, não naturalista. Esta exigência formal ultrapassa a história da família e dá-lhe um lado universal, como todas as grandes obras literárias.AS REGRAS DA ARTE DE BEM VIVER NA SOCIEDADE MODERNANascer não é complicado. Morrer é muito fácil. Viver, entre estes dois acontecimentos, não é necessariamente impossível. Basta seguir algumas regras e aplicar alguns princípios para se adaptar. Basta saber que, em todas as circunstâncias, existe uma solução, uma maneira de agir, uma explicação para os problemas... pois a vida não é mais do que uma longa sequência de problemas para os quais cada um deve conhecer a solução.Um manual de sobrevivência implacável e original. Uma lista dos ritos que comandam a vida. Inspirado nos manuais de usos e costumes e de etiqueta.ESTAVA EM CASA E ESPERAVA QUE A CHUVA VIESSECinco mulheres numa casa, no fim do Verão, desde o início da tarde até à manhã do dia seguinte. A noite trará os seus demónios.Cinco mulheres e um homem jovem. Desiludido com tudo, desiludido com as suas guerras e batalhas, volta, por fim, a casa, volta ao seu ponto de partida para morrer. Está no seu quarto, no quarto onde foi criança, adolescente, onde viveu antes de as abandonar brutalmente.Elas, em torno da sua cama, protegem-no e tranquilizam-se mutuamente. Elas cuidam dele, escutam a sua respiração, andam em bicos de pés. Sussuram as suas histórias, esta ausência de história em que vivem desde que ele as abandonou, a história dele, uma longa balada através do mundo. É uma dança lenta das mulheres em volta da cama de um homem jovem adormecido. |